1.4.06

ARS LONGA, VITA BREVIS ( A Arte perdura, a vida é breve ) É a tradução latina do primeiro aforismo de Hipócrites. De um modo geral, muita gente, e não apenas os artistas, procura compensar a precariedade de uma vida, afinal de contas tão efêmera, com a criação de algo belo, que perdure depois de sua morte. Naturalmente, o conceito beleza é muito relativo. No fundo, porém, o que leva um humilde artesão a executar os seus modestos trabalhos é o mesmo impulso que levou Beethoven a compor a "Nona sinfonia" e Dante a escrever a "Divina comédia". Como são poucos, todavia, os que realmente conseguem projetar a arte além da vida! Para um Beethoven ou um Dante, quantos milhares, quantos milhões de artistas que sofrem a decepção, a humilhação, de verem a obra que queriam eterna morrer diante de seus próprios olhos! FUGACES LABUNTUR ANNI ( Vão-se os anos fugazes ) Em uma de suas mais belas odes, a XIV do Livro II, Hoácio, dirigindo-se a um certo Póstumo, salienta a brevidade e incerteza de nossa existência, a inutilidade de se recorrer a meios sobrenaturais para prolongá-la ou amenizá-la, chegando à conclusão inevitável: o que nos cumpre é aproveitar o máximo possível essa vida tão curta e tão incerta. E assim começa a ode: "Eheu fugaces, Postume, Postume, Labuntur anni, nec pietas moram Rugis et instanti senectae Adferet indomitaque morti". ( Ai de mim! Fugazes, Póstumo, Póstumo, os anos passam, e a devoção aos deuses não nos livra das rugas, da velhice que vem tão depressa e da morte indomável.) Dessa forma, só nos resta arriscar, fazer nossa arte, mesmo que o mundo nunca nos reconheça, e passemos a ser mais um entre todos os maravilhosos humanos, que um dia resolveram mostrar sua genialidade, mesmo sem receber nenhum reconhecimento. Não esquecendo que para isso é necessário que se viva plenamente, cada dia, cada hora, cada instante, porque o tempo NÃO PERDOA. PASSA. Vamos, ao menos, Preservar a Imaginação, já que o reconhecimento, não sabemos quando se dará.

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