25.6.11

O castelo de Vidro/ Jeanette Walls

Jeanette Walls nasceu em 1960, na cidade de Phoenix, Arizona. Formou-se pela Universidade de Columbia e foi repórter da New York Magazine, Esquire, USA Today e MSNBC.com, onde trabalha atualmente. Também aparece com freqüência na TV, incluindo The Today Show, CNN e Prime Time Live. Ela é casO Castelo de Vidro é um livro admirável. Na verdade, a coragem e a transparência da autora em expor as intimidades tristes e frustrantes da sua infância já valem a leitura.Em uma passagem especial do livro, o pai oferece um presente à filha, já que não tinha dinheiro para comprar nada material:

...— "Escolhe a tua estrela favorita — disse ele naquela noite. Ele disse que eu podia ficar com ela para mim. Ele disse que era o meu presente de Natal.

— Você não pode me dar uma estrela! — falei. — Ninguém é dono de uma estrela.

— É isso aí — disse ele. — Nenhuma outra pessoa tem uma estrela. Basta você declarar que tem antes dos outros, que nem aquele carcamano do Cristóvão Colombo, que declarou que a América era da rainha Isabel. Declarar que uma estrela é tua e tem a mesma lógica.

Pensei bem e cheguei à conclusão de que o papai estava certo. Ele sempre descobria umas coisas assim.

Eu podia ter qualquer estrela que quisesse, disse, menos Betelgeuse e Rigel, porque a Lori e o Brian já tinham declarado que elas eram deles."

Durante duas décadas, Jeannette Walls, uma conhecida jornalista nova-iorquina, bonita, brilhante e bem sucedida, escondera as suas raízes. Crescera com pais cujos ideais e inconformismo foram ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição para eles e para os filhos. Rex e Rose Mary Walls tiveram quatro filhos. No princípio, viviam como nômadas, mudando de uma cidade para a outra, habitando velhos armazéns abandonados ou acampando nas montanhas. Jeannette, as duas irmãs e o irmão tinham de sobreviver sozinhos, tentando arranjar comida, limpando a casa e encorajando os pais a trabalhar, enquanto se amparavam mutuamente e procuravam dar alguma normalidade à vida errática a que eram forçados.
Entrevista no YOU TUBE, com a autora e a mãe:http://youtu.be/lW0XVno-0gM

O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS/ KIM EDWARDS

O Guardião de Memórias. Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O Guardião de Memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversível - poder de nossas escolhas.
guardiao+de+memorias,+o

A CIDADE DO SOL/ KHALED HOSSEINI

Uma das minhas ultimas aventuras em leitura foi absorver, em poucos dias, essa história passada na cidade de Cabul, onde a história de duas mulheres Afegãs se cruzam. Inicialmente rivais, mas o mundo em que viviam as tornam iguais e cúmplices em suas dores e na luta por dias melhores.
O autor Khaled Hosseini, o mesmo de O Caçador de Pipas, consegue apresentar a vida das mulheres dessa região com expressiva riqueza de detalhes, oferecendo ao leitor um retrato da dura guerra no Afeganistão; onde o povo vê a cada novo sistema político que surge, a solução para os problemas, sem no entanto tal desejo se efetivar.

24.6.11

O LEITOR / BERNHARD SCHLINK

..."Com bastante frequencia no decorrer da minha vida fiz o que não tinha decidido e deixei de fazer o que tinha decidido. algo, que nunca saberei, age; "algo" dirige-se à mulher que não quero mais ver, "algo" faz diante dos superiores a observação que me desgraça, "algo" volta a fumar, embora eu tivesse decidido abandonar o cigarro, e desiste de fumar depois que percebo que sou e permanecerei sendo um fumante. Não quero dizer que pensar e decidir não tenham nenhuma influência sobre a ação. Mas a ação não perfaz simplesmente o que foi pensado e decidido de antemão. Ela tem sua própria fonte e é da mesma maneira independente, como meu pensamento é meu pensamento, como minha decisão é minha decisão."
Na destroçada Alemanha do final da Segunda Guerra Mundial, o adolescente Michael Berg conhece Hanna, uma mulher vinte anos mais velha, com quem incia um caso amoroso marcado pela descoberta do sexo e da literatura. Quando a amante desaparece e de repente, o jovem passa a acreditar que jamais voltará a revê-la.
No entanto, anos depois os dois se reencontram. Ele, como estudante de direito envolvido em um caso de crimes de guerra. Ela, no banco dos réus, acusada de atrocidades em um campo de concentração nazista. Ao reviver as lembranças da mulher que amou e o desejo de justiça, Michael descobre que a antiga amante parece guardar um segredo que ela considera mais grave que homicídio.
O romance, sem dúvida é comovente, sugestivo e esperançoso. O filme, por sua vez, não o vi, mas as críticas e comentários lhes dão os méritos de uma excelente produção, tendo recebido várias premiações.