3.9.11

CÓDIGO DA VIDA / SAULO RAMOS

ACIMA E ALÉM DAS IDEOLOGIAS POLÍTICAS E FILOSÓFICAS SEMPRE É BOM TER A OPORTUNIDADE DE LER UM BOM LIVRO. PARA A MINHA SORTE,SEMPRE TIVE AO MEU LADO PESSOAS QUE ME POSSIBILITARAM O ACESSO A ÓTIMOS LIVROS. MAIS UMA VEZ, DEI SORTE E ESTE ME FOI EMPRESTADO, POR UMA COLEGA DE TRABALHO. ALGUNS "CRÍTICOS" DISSERAM TRATAR-SE DE PURO CONVENCIMENTO DE SUAS (DO AUTOR) PRÓPRIAS QUALIDADES. CONSIDEREM. QUEM COM AS OPORTUNIDADES QUE O AUTOR TEVE E COM A CLAREZA QUE ASSUME O QUE FEZ, NÃO TERIA O DIREITO DE SE VANGLORIAR? TENDO A OPORTUNIDADE DE FAZER PARTE DE TANTA HISTÓRIA; TER CONTATO E CONVIVÊNCIA COM ILUSTRES PERSONAGENS,QUEM NAO TERIA O PRAZER EM DIVIDIR COM O PÚBLICO EM GERAL, BOA PARTE DE SUA VIDA, OU, SE NÃO, TODA. PARA QUEM TIVER INTERESSE EM CONHECER O AUTOR, E AINDA UM POUCO MAIS SOBRE OS BASTIDORES DESTE PAÍS, SUGIRO A LEITURA.

27.8.11

PEDRAS NO CAMINHO


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não esqueço de que minha vida
É a maior empresa do mundo…
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
Se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
Um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “Não”!!!
É ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta…
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Fernando Pessoa

27.7.11

O LIVREIRO DE CABUL/ Asne Seierstad

Por ter vivido três meses com uma família afegã, na primavera de 2002, logo após a queda do regime talibã, a jornalista norueguesa Asne Seierstad pôde produzir esta narrativa ímpar que mostra aspectos do país que poucos estrangeiros testemunhariam. Como ocidental, mulher e hóspede de Sultan Khan, um livreiro de Cabul, obteve o privilégio de transitar entre o universo feminino e masculino de uma sociedade islâmica fundamentalista. Preso e torturado durante o regime comunista, Sultan Khan teve sua livraria invadida e parte dos livros queimados, mas alimentava o sonho de ver seu acervo de 10 mil volumes sobre história e literatura afegã transformar-se no núcleo de uma nova Biblioteca Nacional. Apesar da situação estável, a família do livreiro, dividia uma casa de quatro cômodos em uma cidade que se recuperava da guerra e de trágicos reflexos políticos. Os integrantes da família acostumaram-se à presença da autora sob uma burca. Assim, ela pôde observar relatos das rixas do clã; da exploração sexual das jovens viúvas que esperavam doações de alimentos das organizações de ajuda internacional; da adúltera sufocada com um travesseiro pelos três irmãos sob as ordens da mãe; do exílio no Paquistão da primeira esposa de Sultan Khan, após um segundo casamento com uma moça de 16 anos, do filho adolescente do livreiro obrigado a trabalhar 12 horas por dia sem chance de estudar. A autora apresenta uma coleção de personagens comoventes que reflete as contradições do Afeganistão, e nos emociona sobretudo ao apresentar a rotina, a pobreza e as limitações impostas às mulheres e aos jovens do país. O protagonista, mesmo sendo um homem de letras, é um tirano na orientação familiar, nos negócios, e pautado pelo radicalismo. Prova disso é que, indignado com o trabalho da autora, o livreiro de Cabul que inspirou o personagem Sultan Khan foi à Noruega com o propósito de pedir reparação judicial. O Livreiro de Cabul - Åsne Seierstad
close

2.7.11

SIMPLES DESEJO

♫ "Que tal abrir a porta do dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar, Pensar em nada…
Legal ficar sorrindo à toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo
Hoje eu só quero que o dia termine bem
Hoje eu só quero que o dia termine muito bem...!" ♫

IDADE

Edad

Qué se puede hacer en ochenta años: Probablemente, empezar a darse cuenta de cómo habría que vivir y cuáles son las tres o cuatro cosas que valen la pena. Un programa honesto requiere ochocientos años. Los primeros cien serían dedicados a los juegos proprios de la edad, dirigidos por ayos de quinientos años; a los cuatrocientos años, terminada la educación superior, se podría hacer algo de provecho; el casamiento no debería hacerse antes de los quinientos; los últimos cien años de vida podrían dedicarse a la sabiduría. Y al cabo de los ochocientos años quizá se empezase a saber cómo habría que vivir y cuáles son las tres o cuatro cosas que valen la pena. Un programa honesto requiere ocho mil años.
Etcétera
Ernesto Sabato, in Uno y el Universo

1.7.11

DEFINIÇÕES

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresentaum capítulo.
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.
Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.Não, Amor é um exagero, também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

25.6.11

O castelo de Vidro/ Jeanette Walls

Jeanette Walls nasceu em 1960, na cidade de Phoenix, Arizona. Formou-se pela Universidade de Columbia e foi repórter da New York Magazine, Esquire, USA Today e MSNBC.com, onde trabalha atualmente. Também aparece com freqüência na TV, incluindo The Today Show, CNN e Prime Time Live. Ela é casO Castelo de Vidro é um livro admirável. Na verdade, a coragem e a transparência da autora em expor as intimidades tristes e frustrantes da sua infância já valem a leitura.Em uma passagem especial do livro, o pai oferece um presente à filha, já que não tinha dinheiro para comprar nada material:

...— "Escolhe a tua estrela favorita — disse ele naquela noite. Ele disse que eu podia ficar com ela para mim. Ele disse que era o meu presente de Natal.

— Você não pode me dar uma estrela! — falei. — Ninguém é dono de uma estrela.

— É isso aí — disse ele. — Nenhuma outra pessoa tem uma estrela. Basta você declarar que tem antes dos outros, que nem aquele carcamano do Cristóvão Colombo, que declarou que a América era da rainha Isabel. Declarar que uma estrela é tua e tem a mesma lógica.

Pensei bem e cheguei à conclusão de que o papai estava certo. Ele sempre descobria umas coisas assim.

Eu podia ter qualquer estrela que quisesse, disse, menos Betelgeuse e Rigel, porque a Lori e o Brian já tinham declarado que elas eram deles."

Durante duas décadas, Jeannette Walls, uma conhecida jornalista nova-iorquina, bonita, brilhante e bem sucedida, escondera as suas raízes. Crescera com pais cujos ideais e inconformismo foram ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição para eles e para os filhos. Rex e Rose Mary Walls tiveram quatro filhos. No princípio, viviam como nômadas, mudando de uma cidade para a outra, habitando velhos armazéns abandonados ou acampando nas montanhas. Jeannette, as duas irmãs e o irmão tinham de sobreviver sozinhos, tentando arranjar comida, limpando a casa e encorajando os pais a trabalhar, enquanto se amparavam mutuamente e procuravam dar alguma normalidade à vida errática a que eram forçados.
Entrevista no YOU TUBE, com a autora e a mãe:http://youtu.be/lW0XVno-0gM

O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS/ KIM EDWARDS

O Guardião de Memórias. Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está apenas em sua construção bem amarrada ou no realismo de seus personagens, mas, principalmente, na sua capacidade de envolver o leitor da primeira à última página. Com uma trama tensa e cheia de surpresas, O Guardião de Memórias vai emocionar e mostrar o profundo - e às vezes irreversível - poder de nossas escolhas.
guardiao+de+memorias,+o

A CIDADE DO SOL/ KHALED HOSSEINI

Uma das minhas ultimas aventuras em leitura foi absorver, em poucos dias, essa história passada na cidade de Cabul, onde a história de duas mulheres Afegãs se cruzam. Inicialmente rivais, mas o mundo em que viviam as tornam iguais e cúmplices em suas dores e na luta por dias melhores.
O autor Khaled Hosseini, o mesmo de O Caçador de Pipas, consegue apresentar a vida das mulheres dessa região com expressiva riqueza de detalhes, oferecendo ao leitor um retrato da dura guerra no Afeganistão; onde o povo vê a cada novo sistema político que surge, a solução para os problemas, sem no entanto tal desejo se efetivar.

24.6.11

O LEITOR / BERNHARD SCHLINK

..."Com bastante frequencia no decorrer da minha vida fiz o que não tinha decidido e deixei de fazer o que tinha decidido. algo, que nunca saberei, age; "algo" dirige-se à mulher que não quero mais ver, "algo" faz diante dos superiores a observação que me desgraça, "algo" volta a fumar, embora eu tivesse decidido abandonar o cigarro, e desiste de fumar depois que percebo que sou e permanecerei sendo um fumante. Não quero dizer que pensar e decidir não tenham nenhuma influência sobre a ação. Mas a ação não perfaz simplesmente o que foi pensado e decidido de antemão. Ela tem sua própria fonte e é da mesma maneira independente, como meu pensamento é meu pensamento, como minha decisão é minha decisão."
Na destroçada Alemanha do final da Segunda Guerra Mundial, o adolescente Michael Berg conhece Hanna, uma mulher vinte anos mais velha, com quem incia um caso amoroso marcado pela descoberta do sexo e da literatura. Quando a amante desaparece e de repente, o jovem passa a acreditar que jamais voltará a revê-la.
No entanto, anos depois os dois se reencontram. Ele, como estudante de direito envolvido em um caso de crimes de guerra. Ela, no banco dos réus, acusada de atrocidades em um campo de concentração nazista. Ao reviver as lembranças da mulher que amou e o desejo de justiça, Michael descobre que a antiga amante parece guardar um segredo que ela considera mais grave que homicídio.
O romance, sem dúvida é comovente, sugestivo e esperançoso. O filme, por sua vez, não o vi, mas as críticas e comentários lhes dão os méritos de uma excelente produção, tendo recebido várias premiações.

13.5.11

1980 / 2011 = 31anos

Há 31 anos, entre outras coisas, esta maravilhosa composição de Chico Buarque era por mim compartilhada, e também deixou saudades.
Eu te amo Tom Jobim - Chico Buarque/1980
Ah, se já perdemos a noção da hora Se juntos já jogamos tudo fora Me conta agora como hei de partir Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios Rompi com o mundo, queimei meus navios Me diz pra onde é que inda posso ir Se nós, nas travessuras das noites eternas Já confundimos tanto as nossas pernas Diz com que pernas eu devo seguir Se entornaste a nossa sorte pelo chão Se na bagunça do teu coração Meu sangue errou de veia e se perdeu Como, se na desordem do armário embutido Meu paletó enlaça o teu vestido E o meu sapato inda pisa no teu Como, se nos amamos feito dois pagãos Teus seios inda estão nas minhas mãos Me explica com que cara eu vou sair Não, acho que estás te fazendo de tonta Te dei meus olhos pra tomares conta Agora conta como hei de partir

Nota sobre Eu te amo Análise literária de Maria Helena Sansão Fontes Letra

A canção "Eu te amo" (1980), evidencia o cuidado formal presente na obra de Chico Buarque através dos tercetos onde predominam versos decassílabos e rimas centradas no esquema aabccb, com acentuação na quinta e na décima sílabas métricas. Embora não haja uma rigidez nesse processo formal, observa-se a preocupação de manter nas sete estrofes o efeito estético sonoro-visual, cuja elaboração prescinde da parte musical. A canção, composta em parceria com Tom Jobim (que fez a música), revela o alto nível de perfeição artística e a integração completa - embora não indissociável - entre letra e música.

A temática do relacionamento amoroso revela aqui um eu conflitado, consciente da perda da individualidade diante do amor como um processo de continuidade do ser humano . O amor é tomado em seu sentido de comunhão entre os seres, o que implica a intemporalidade ("perdemos a noção da hora") e a angústia diante da ameaça da descontinuidade, da separação entre dois seres que se tornaram um só ("Me conta agora como hei de partir").

Na concepção de Bataille, o ser oscila entre o descontínuo e o contínuo, no eterno conflito entre o desejo da vida terrena, onde o descontínuo se estabelece através do abismo que isola os seres em sua individualidade, e a busca do desconhecido, da fusão, da continuidade, obtida através da morte. O erotismo dos corpos implica a dissolução dos seres, na fusão em que ambos se encontram no continuo, como na morte.

Ao fazer a distinção entre as três formas de erotismo: dos corpos, do coração e erotismo sagrado, o autor define este último como "a procura duma continuidade do ser prosseguida sistematicamente para lá do mundo imediato" Entretanto, o homem não deixa de experimentar diante da nostalgia do contínuo o sentimento de angústia pela perda da individualidade:

"'Somos seres descontínuos, indivíduos que isoladamente morrem numa aventura ininteligível mas que têm a nostalgia da continuidade perdida.. Suportamos mal a situação que nos amarra à individualidade que somos. E, ao mesmo tempo que conhecemos o angustioso desejo de duração dessa precariedade, temos a obsessão duma continuidade primacial que ao ser geralmente nos una".

O questionamento que perfaz a trajetória do poema "Eu te amo" implica o processo de loucura e perda do senso propiciado pelo amor, evidente no segundo terceto: "Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/ Rompi com o mundo, queimei meus navios". A continuidade entre os seres é reiterada nos versos disseminados por todo o texto em que se sobressai a fusão do eu-lírico com o objeto de seu desejo: "Já confundimos tanto as nossas pernas"; "Meu sangue errou de veia e se perdeu"; "Meu paletó enlaça o teu vestido"; "E o meu sapato inda pisa no teu".

O temor que reside na iminência do descontínuo se revela pelos versos que, como num refrão, reafirmam o atônito questionamento ao final das estrofres:

"Me conta agora como hei de partir" "Me diz pra onde é que inda posso ir" "Diz com que pernas eu devo seguir" "Me explica com que cara eu vou sair" "Agora conta como hei de partir"

As circunstâncias expressas pelas palavras "agora". "onde", "como" revelam a temporalidade presente no processo de descontinuidade gerado pela separação dos seres. Da sensação de perda da continuidade resulta a angústia, inexistente na dimensão intemporal do amor.

O teor erótico que perpassa os versos é intensificado na penúltima estrofe, onde a ausência da individualidade entre os seres reafirma-se pelo aspecto intemporal e não-circunstancial do amor, evidenciando a nostalgia da continuidade "primacial" de que fala Bataille: "Como, se nos amamos feito dois pagãos/ Teus seios inda estão nas minhas mãos".

Na última estrofe, o jogo de palavras que implica a assonância e a polissemia das palavras ("tonta", "conta/conta") sugere a perda do senso atribuído pelo eu-lírico à mulher amada: "Não, acho que estás te fazendo de tonta"; corrobora a dimensão contínua do amor: "Te dei meus olhos pra tomares conta" e, num último apelo, reitera o temor da descontinuidade: "Agora conta como hei de partir".

Sem fantasia - Masculino e feminino em Chico Buarque Maria Helena Sansão Fontes - Editora Graphia, 1999 Fonte site www.chicobuarque.com

Cá e acolá dizem da antipatia

Cá e acolá dizem

Da antipatia

... “A rivalidade inexplicável se transforma numa energia positiva, fazendo com que cada um dê o melhor de si mesmo, e tome o dobro de cautela para não tornar-se agressivo”...

...“ É o atrito de duas pedras que permite a faísca de Luz”.

9.4.11

LER

Não leiais para refutar ou contradizer, para aceitar ou aquiescer, para perorar ou discursar, mas para ponderar e considerar.

Certos livros devem ser provados; outros engolidos; uns poucos mastigados e digeridos. Quer dizer: devemos ler certos livros apenas parceladamente; outros incuriosamente, e uns poucos da primeira à última página, com diligência e atenção.

Alguns livros podem mesmo ser lidos por terceiros, que nos farão deles um apanhado, mas isso somente no caso de assuntos desimportantes, e de livros medíocres, pois livros resumidos são como água destilada: insípidos.

O ler faz um homem completo, o conferir destro, o escrever exato. Bem por isso, se alguém escreve pouco, deve ter boa memória; se confere pouco, muita sagacidade; se lê pouco, muita manha para afetar saber o que não sabe. Francis Bacon.

3.4.11

O OITO / Katherine Neville

O Oito / Katherine Neville

Sinopse: Conta a lenda que os Mou­ros ofe­re­ce­ram a Car­los Magno um tabu­leiro de xadrez que con­ti­nha a chave para domi­nar o mundo. Sul de França, 1790. No auge da Revo­lu­ção Fran­cesa, o len­dá­rio tabu­leiro de xadrez de Car­los Magno, oculto há mais de um milé­nio nas pro­fun­de­zas da Aba­dia de Mont­glane, corre o risco de ser des­co­berto. As suas peças encer­ram um intri­cado enigma e quem o deci­frar terá acesso a uma antiga fór­mula alquí­mica que lhe con­ce­derá um poder ili­mi­tado. Para mantê-​las fora do alcance de mãos erra­das, as novi­ças Mireille e Valen­tine deve­rão espalhá-​las pelos qua­tro can­tos do mundo. Dois sécu­los depois, Cathe­rine Velis, uma jovem perita infor­má­tica, é envi­ada para a Argé­lia com o objec­tivo de desen­vol­ver um soft­ware para a OPEP. Nas vés­pe­ras da sua par­tida de Nova Ior­que, um nego­ci­ante de anti­gui­da­des faz-​lhe uma pro­posta mis­te­ri­osa: reu­nir as peças de um antigo xadrez. Cat vê-​se assim envol­vida na busca do len­dá­rio jogo de xadrez e torna-​se numa das peças desta par­tida mile­nar, jogada ao longo dos sécu­los por reis e artis­tas, polí­ti­cos e mate­má­ti­cos, músi­cos e filó­so­fos, liber­ti­nos e o pró­prio clero. Quem está de que lado? De quem será o pró­ximo lance? Pas­sado e pre­sente entrecruzam-​se magis­tral­mente neste thril­ler excep­ci­o­nal de uma autora de culto em todo o mundo, con­si­de­rada a grande pre­cur­sora dos roman­ces de Dan Brown.

Opinião Pessoal:

Duzentos anos separam duas histórias que estão de alguma forma ligadas. Com uma enorme mestria a autora deixa-nos “quase sempre” em suspense no final de cada capitulo cuja a acção começa no ano de 1790 na abadia de Montglane (França).

Em plena Revolução Francesa, a Abadessa de Montglane, reúne todas as freiras e noviças, para lhes revelar um segredo á muito escondido, o lendário Xadrez que aí está enterrado á mais de mil anos e que terá pertencido a Carlos Magno. A qualquer preço o xadrez terá de ser de novo escondido, antes que caia em mãos erradas, pois esconde um terrivél segredo e reza a lenda que quem consiga reunir todas as peças, conseguirá ter um poder infinito.

Em 1972 Catherine Velis uma jovem e brilhante informática é de certa forma castigada pelos seus superiores e informada que irá ser transferida para Argel. Uma estranha cartomante revela a Catherine que a sua vida corre serio perigo.

Este é apenas o início de um jogo do qual só poderá haver um vencedor e que transporta Catherine para uma aventura sem tempo nem idade.

Um romance histórico imperdivél, á muito desaparecido das nossas livrarias e que agora vê de novo a luz do dia.

Pura ficção que se mistura com personagens e factos reais, que de tão perfeitos conseguem “quase fazer-nos crer que a história é veridica.

Carlos Magno, o ainda jovem Napoleão Bonaparte, Catarina a Grande Czarina de todas as Rússias, Frederico da Prússia, Rousseau, William Blake, Newton, Fibonacci e a sua célebre fórmula, Voltaire, o pérfido e ambicioso primeiro-ministro e cardeal Richelieu, ou curiosamente o Coronel Kaddafi presidente da Líbia são personagens activos e de algum modo ligados aos protaganistas da história numa aventura emocionante, que recomendo vivamente para quem gosta do género Dan Brown (embora este fique muito…. muito mais á frente).

E o final? bem isso não posso contar… mas é espectacular (para quem já leu, sabe do que estou a falar) Mas porque é que eu não me lembrei daquilo! estava na cara.