Maio chegando,
traz consigo a esperança de novos caminhos, de novas soluções e de tempos melhores. Claro, ele é o mês que se homenageia as mães. E por isso é fácil considerá-lo como o mês da esperança, pois não há quem mais a tenha do que uma MÃE.
Ser Mãe, é um eterno exercício de respeito aos ciclos; o da fecundação, do crescimento, da independência. Sempre, cultivando-os com paciência, fé e esperança para que em cada fase tudo corra bem.
Não se esquecendo, sem dúvida, da Imaginação.
Como alguém já disse: "Filho não vem com manual". Então, muitas vezes, só apelando pra imaginação pra resolver situações inesperadas. Desde as cólicas dos primeiros meses, as crises da adolescencia, e as dúvidas da fase adulta.
Aí me pergunto, pra que Academia, Malhação, Caminhadas?? Todo esse exercício já deveria nos garantir um belo corpinho, não é mesmo????
Falando em Mãe e Imaginação, lembrei-me de um texto,que há muito tempo li, no qual a imaginação foi um bom ingrediente.
MÃE ANO 3000
“Como um anjo da guarda cibernética ela espera sua criança cibernética. Ela chega. O ventre da mulher explode em estrelas cintilantes.
A mãe é vibrátil, sonora, leve, bela e eterna. Não conhece a dor. Ela voa aonde quer com sua criança. Juntas compõem uma sinfonia metálica de brisas, ventos, nuvens e sol.
Não há lonjuras que não vençam. Pois todas as lonjuras estão perto para quem voa.
Vão visitar a casa paterna. A avó começa a tricotar nas mãos o sono da criança. Se for verão encontrarão abertas as janelas do infinito. Se for inverno e as nuvens tempestuosas lhes crivam as asas de branco, o avô acenderá a lua para aquecer as estrelas tardias.
O seio cibernético é um filtro de luz e ali a criança pousa seus lábios para sugar mais amor.
Um amanhã se faz, de repente, comovido.
A bisavó estremece com suas rugas milenares, vincadas de estrelas matutinas e lembra-se daquela essência de que é alimento e raiz.
O bisavô transcende o olhar na luz plena da origem do homem. Extinto, o de ontem. Liberto de ossos, sangue, músculos e sofrimentos, o de hoje, luz inicial agora.
A mãe cibernética colhe um bique de estrelas para engrinaldar a fronte e o vestido. A criança sorri. Depois vão brincar de esconder acima do tempo e do espaço.
Na idéia central e universal, mãe e filho se despedem em harmonia. São amigos de Deus. È hora de voltar para casa. Acenam para os amados e partem para sua dimensão.
Rufla no ar o rumor das asas e da hélice.
Como estrelas, fulgurantes.
Acendem-se terrestres na noite. É hora de repousar. A mãe toca uma canção cibernética de acalantos. De sinos, vozes, saxofones, címbalos e violinos. Ela toda é uma orquestra universal.
O filho com mãos pequenas afaga as asas e o sonho. Fica a esperar o pai que foi tecer uma galáxia ao anoitecer. Ele chega e traz um refresco de sono gelado. Feliz a criança repousa.
Depois, a mãe cibernética se estende ao lado do menino e deixa uma luzinha guia dos seus cabelos acesa. Conta uma história. A história de muitos mil anos de solidão do Homem.
De como foi vencida a dor, o mal e a morte.
Adormecem.
Amanhã voaram outra vez, reabastecidos de sono e luz. Por enquanto é noite ainda.
Todas as galáxias e estrelas insones espreitam a mãe cibernética.
A última invenção do homem, que antes de se destruir, criou a máquina-luz que imita a vida e o amor.
A mãe cibernética é incansável ao velar o sono da criança. É incansável na vigília e na ternura. Antes de sonhar, relembra com gratidão os terrestres e chora uma lágrima de luz, mas sem sofrer. Mãe cibernética não sofre, não envelhece, não morre.
A mãe, o homem e a criança ao encontro do alvorecer, esmaecem sua luz própria. Descansam suas engrenagens.”
Autor: desconheço